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01/08/2015 - Mercedes-Benz vai parar a produção de ônibus e caminhões pela segunda vez

Pela segunda vez no ano, a unidade da Mercedes-Benz em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, sede da fabricante alemã no Brasil, vai parar totalmente a produção de ônibus, caminhões, motores e componentes.

Entre os dias 7 e 21 deste mês, sete mil trabalhadores da planta terão licença remunerada.

Estes funcionários voltaram na semana passada de férias coletivas de 20 dias também.

Não bastasse isso, a fabricante de veículos pesados projeta realizar mais demissões em setembro, mas ainda não informou a quantidade de trabalhadores afetados. Na metade do ano, foram cortados 500 trabalhadores, dois quais 250 colocados em lay-off e 250 desligados.

A empresa alega que possui hoje, por causa da baixa demanda por veículos comerciais devido à crise econômica brasileira, um excedente de 2 mil trabalhadores, de aproximadamente dez mil que atuam na planta. Deste total, 250 estão com os contratos de trabalho suspensos temporariamente (lay-off). Desde o dia 14, a empresa está com um PDV – Programa de Demissão Voluntária aberto e que se encerra em duas semanas, mas a adesão está baixa.

No início de julho, a Mercedes propôs a redução da jornada de trabalho em 20% e dos salários em 10% em troca de estabilidade por um ano, mas 74% dos trabalhadores rejeitaram.

Frente a isso, a montadora agora diz que não vai aderir ao PPE – Programa de Proteção ao Emprego, pelo qual a redução dos salários pode chegar a 30%, mas com 15% sendo cobertos pelo FAT – Fundo de Amparo ao Trabalhador.

Segundo a Mercedes-Benz, se os trabalhadores tivessem aceitado a proposta do início de julho, o acordo seria adequado às regras do PPE.

A empresa informou que vem tentando evitar cortes com medidas como as demissões voluntárias, diminuição da quantidade de dias trabalhados na semana, férias coletivas, lay-off, mas as ações têm sido insuficientes porque a desaceleração das vendas de veículos comercias está bem maior que o previsto no início do ano.

No primeiro semestre deste ano, a queda nas vendas de caminhões da marca foi de 42,8%, com 9,5 mil unidades, e as vendas de ônibus registraram retração de 14,2%, com 4,8 mil veículos de transporte coletivo, em relação ao mesmo período de 2014.

As vendas de ônibus e caminhões sãos as mais prejudicadas em momentos de crise econômica, como o atual, porque não são bens de consumo, e sim bens de capital ou bens intermediários. O mercado de veículos de grande porte reflete a condição de outros setores e a baixa possibilidade de investimentos, como supermercados e lojas que dependem de caminhões para a entrega de produtos e estão vendendo menos, e o nível de desemprego que diminui a circulação de Vale – Transporte e a demanda de passageiros em ônibus rodoviários.

Em um ano, a indústria automobilística demitiu 14,5 mil trabalhadores, dos quais, 7,6 mil somente nos seis primeiros meses de 2015. Hoje há em torno de 7 mil operários em lay-off, parados com os contratos de trabalho suspensos temporariamente.